quinta-feira, 6 de março de 2014

Afáveis Vertigens

Ser um professor aqui, no Brasil, é realmente complicado desde que você decide ser um. Quando criança, toda vez que questionavam o que eu gostaria de ser quando crescesse e eu dizia que seria professora, costumavam fazer uma cara estranha, exprimindo uma emoção que na época eu não conseguia reconhecer. Por meio dessas experiências, ao longo do tempo eu percebi que a menção de virar professor podia causar expressões faciais estranhas, mas só fui compreender o porquê dessas no futuro, quando tomei conhecimento da desvalorização na qual o pessoal do giz na mão está inserido nos dias de hoje.
                Além das caras estranhas, algumas pessoas me disseram paras ser uma aeromoça. Algumas muitas pessoas me disseram para ser enfermeira. Inclusive, meu professor de ciências do Ensino Fundamental foi o pioneiro nisso de ter conhecimento sobre o caminho que eu pretendia seguir, e mesmo assim me aconselhar a seguir outro, no caso, iniciar carreira na área de enfermagem. Segundo ele, minhas notas na matéria eram boas o suficiente e eu daria uma ótima profissional nesse campo devido minhas maneiras gentis. Gentis, não, “afáveis”, ele disse. Eu estava totalmente preparada para perguntar a ele por que ele não se tornou um enfermeiro também, visto que era tão bom em ciências e ao mesmo tempo tão preocupado com a vida alheia quanto são os enfermeiros, mas eu optei por deixar a questão morrer. Enfermeira ou professora, o que for que eu fosse tornar-me, para ambas profissões eu precisaria de abundante paciência com os outros. E eu também não frustraria talvez o único indivíduo que me considerava “afável” na época.
          Ninguém hoje em dia sonha em ser professor. Ninguém é instigado a iniciar e permanecer nesse campo. Indo mais fundo nessa questão, ninguém quer ser um aluno também. Adentrando uma sala de aula, é latente que a grande maioria das crianças ali trocaria seus reinos por ficar em casa dormindo ao invés de estarem no colégio. They don't need no education. Eles costumam dizer que professores são chatos e que nada que está sendo ensinado poderá ser usado em suas vidas fora da escola.                                                                       
          Os pais das crianças que need no education comumente vão aos colégios reclamar do nível de educação daquela instituição. Eles querem saber por onde andam os bons professores, visto que aqueles dos quais o colégio dispõe não estão exercendo seu trabalho satisfatoriamente.
Ocorre que os bons professores estão em hospitais sendo enfermeiras, aplicando injeções e dizendo “Olá, Sr. Fernando! Como estamos nessa manhã? O Cóccix ainda dói?” porque todo mundo disse para fazerem isso. Todos disseram que seria uma carreira mil vezes melhor.
Mesmo depois de todos esses anos de desincentivo, eu estou estudando para ser uma professora. Acordando cedo todos os sábados às 5h30min para ir à faculdade e me formar como uma docente. Eu sou realmente muito teimosa. E eu odeio sangue, também. Minha mãe é enfermeira, e apenas seus relatos de seus dias de trabalho bastam para me dar vertigem.
                Deus queira que mais pessoas sejam teimosas. E que um dia as pessoas não precisem apresentar vertigens para seguir seus sonhos. 

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Perdoa

Se existe isso de amor da vida, você foi o meu.

Fiquei bem uma hora tentando escrever alguma coisa mais profunda, mas veja bem, meu bem, meu léxico é bacana, mas hoje as palavras me traíram. Ausentaram-se bem quando eu mais precisava me expressar. Tem mais alguma coisa pra falar? Tenho. Mas palavra nenhuma me expressa, assim como beijos, abraços e choros também não o fazem. Acredito que o mais próximo que conseguiu foi o roçar da minha boca na sua barba. Mil maneiras pra tentar dizer que você foi o meu.

Agoniza, mas não morre. Amor. De repente bateu uma vontade de chorar... a gente nunca perdoa verdadeiramente.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Enfim

E daí já que você pediu, eu vou.

Quem liga? Paciência se cada pedacinho do meu corpo vai sentir falta do seu, ou se vai lembrar como era legal sua mão repousando na minha pena enquanto o sinal permanecia vermelho. Minha mão vai sentir saudades de segurar seu dedinho enquanto a gente caminha, mas novamente, quem liga? O pessoal do Spoletto e do Romildo vão sentir também, quem sabe, alguma dia, nossa ausência (sentirão mais a ausência do nosso dinheiro, então não vamos ligar pra isso também.)

Ligo sim. Os capítulos da minha vida vão sentir falta de cada um dos seus. Mas eu vou, só que levando comigo meu coração. Por mais que ele tenha lá suas recaídas e me fale "que pena" às vezes -ou muitas vezes-, ás vezes -muitas vezes?- é preciso parar de putaria e racionar. Se Deus deu a mim o cérebro que ele concedeu a uma pomba, eu consigo racionar e chegar à conclusões que vão arrastar meu coração no cascalho até ele calar a boca.

E eu queria que a dor não fosse tão necessária pra gente saber que valeu a pena...

domingo, 17 de novembro de 2013

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Está em tudo, todas as coisas. Parece que o problema não é tirar você do mundo, mas justamente ao contrário: o mundo de ti. Chega a ser autodestrutivo, porque nem sempre olhar ao redor e te ver me faz bem. Eu não quero você em cada notícia do jornal, não quero em cada lugar que vou, em cada anúncio que vejo, em cada conversa sem nexo que ouço no elevador da faculdade, em cada poema da prova de teorias da literatura. Quer dizer que os trovadores também gostavam de você naquela época, e fizeram os poemas de amor dolorido dedicados a ti? Sua relação com eles também era como a nossa agora? 

 Sai pra lá, sabe? Eu te quero quando estiver junto contigo, quando estiver conversando. No resto do dia, queria te tirar da cabeça um pouco. Aprendi sinais de pontuação nesse semestre, na aula de morfologia. Fiquei ali uns 35 minutos ouvindo a professora explicando sobre ponto e vírgula, e mal sabia a mulher que eu sou a top-mestra-doutora-phd-jedi em pontos e vírgulas.
 Porque é isso que eu mais faço, não é? Enfio vírgula onde deveria haver só a porra de um ponto. E ponto final absoluto, forever, não dois pontos e nem reticências. Dois pontos são abertura pra mais alguma coisa, pra um aposto ou coisa assim, e reticências dá entender pesar, uma dúvida... Viu? Reticências é a pontuação de nego que não tem certeza de nada, e eu tenho. Eu sei que eu tenho certeza. 

 Mas eu sou o que? Eu sou uma múmia paralítica. Eu sempre uso ponto e vírgula, a pontuação dos múmias paralíticas. Aqueles maluco que sabe que tá tudo definitivamente estragado, e sabe que todo mundo sabe que tá estragado, mas vai lá de trouxa cabeçudo e põem uma vírgula no lugar de um simples ponto. Ponto é ponto, porra! Ponto e vírgula é coisa de gente múmia, ponto final.

 Que merda tudo isso. Amar deveria ser mais simples que regras de pontuação.

terça-feira, 25 de junho de 2013

Mascavo

Quase um ano inteiro sem uma postagem. 
Tenho medo de ter desaprendido a escrever com o coração, sinto que hoje só sei redigir artigos científicos e planos de aula. Os dedos que outrora escreviam palavras singelas saídas espontaneamente agora insistem em usar advérbios e palavras como "outrora" para uma melhor expressão dos pensamentos. 

 Entretanto, hoje vim fazer um esforço.

 Eu queria tanto, mas tanto que nada fosse assim. Eu queria estar contigo agora, na cama ouvindo a chuva cair e achando graça de alguma coisa sem graça, apenas rindo porque haveria motivos pra isso. Não no objeto do riso, mas dentro de mim. Queria que o riso fácil fosse uma característica intrínseca nossa de novo e pra sempre. Que eu, de novo e pra sempre, salvasse todos os modelos de vestidos de noiva que me agradam em uma pasta do meu computador. Queria ser ruiva natural e não ter problemas respiratórios, mas  a solução desses infortúnios não valeria de nada se não ocorresse ao seu lado. Tenho um saco enorme de açúcar mascavo aqui em casa, sabe? Queria estar fazendo biscoitos contigo agora. Melhores que os do Subway, porque os nossos foram e seriam feitos com amor.
 Meus toc's não permitem que eu continue repetindo o verbo querer no pretérito imperfeito, então mudo para "adorar": adoraria não estar gelada e tremendo enquanto escrevo isto.
 Eu pensei no assunto o dia inteiro, e é isso que eu quero. Fazer todas essas coisas, mas principalmente parar de ser gelada e tremer. Eu tenho total conhecimento de que um dos meus maiores defeitos é querer que tudo seja do jeito que era antes, mas hoje, particularmente no dia de hoje, eu quero que seja do jeito que será depois.

 Quero que sábado que vem seja ao seu lado, que sexta-feira você almoce aqui em casa, que o próximo dia 16 seja maravilhoso tanto para mim quanto para você. Que em um domingo qualquer aí a gente largue tudo e se case. Discuta se vamos colocar ou não um H no meio de um nome. Quero que você me leia assim que eu postar esse texto...

 Onde é que eu usaria açúcar mascavo além de nos biscoitos? No café fica ruim... fica amargo. Acho que de amargura, já basta a do café. Chega disso? Eu te amo.